Reverberações lunares

•maio 30, 2011 • Deixe um comentário

A Lua sonhou e me disse:

“Olhe para o céu!
Cada estrela é um pedido,
Desejos que foram feitos há muito muito tempo…

Por isso fale baixo…
As estrelas são sonhos que o céu guarda…
E a qualquer momento podem cair…

“E o céu tem o sono leve…
A qualquer movimento um desejo é realizado
O sonho despenca e o que era tão aguardado
Transforma-se em luz materializada
É pulsante e quente!

“Milagres!
Estrelas esperam apenas um olhar para cair…
Ah! Os olhos despertam os desejos dos outros…
E as mãos realizam os sonhos alheios…

“Por isso olhe para o céu, minha querida,
E realize sonhos!”

Constellations – Jack Johnson

Enquandrando o silêncio

•abril 23, 2011 • Deixe um comentário
Gaiola de silêncios

Encarceirada em silêncio

Enquandrando o silêncio: uma prisão em minha própria liberdade

Engaiolada por linhas imaginárias:
Fronteiras invisiveis e inacabadas.

Enquadro-me na rotina de tragédias diárias
Escrevo-me cartas com desculpas esfarrapadas.

Não vejo mais para onde correr
Com toda essa liberdade de expressão…
Então encarceiro-me nessa minha prisão.
Com medo, passo a me esconder…

Liberto-me do mundo de crueldades
Entrando no meu próprio mundo de sonhos
Concedo-me um momento de anestesia
Para não olhar minha própria hipocrisia

E não me venha falar de realidade!
Não acredito! Não compro mais!
E pode parecer simples vaidade!
Não ligo! Fecho as grades e durmo em paz!

Foto: Carol Matias

Saudade de casa

•fevereiro 6, 2011 • Deixe um comentário

De olhos fechados, vejo a luz brilhar,

nos horizontes de meu sonho vejo a Lua nascer

E sinto uma saudade de um tempo que não me lembro,

sinto falta de um lugar em que nunca estive,

Sinto saudade de minha antiga morada…

Vontade de ser luz, vontade de Lua.

Lembro-me então de um canto à ela,

Grande Lua, Grande Mãe.

 

“Senhora da céu e da noite

salpicada de estrelas,

Guardadora de nossos sonhos e visões,

Mostra-me como transformar

Sonhos em realidade

E como viver bem a minha verdade

Ensina-me a usar minha força de vontade

para recuperar meu antigo poder

Revela minhas facetas de sombra e de luz

Para assim alcançar a totalidade.

Mãe, ensina-me a ouvir minha voz interior,

Silenciando o turbilhão da mente

E escutando o teu chamado no pulsar

do meu coração.”

 

Longe de casa,

numa jornada de aprendizado e amor.

Sinto uma saudade boa,

E em plena Lua Nova,

vejo a Lua nascer

no horizonte de mim.

Gira, mundo!

•janeiro 13, 2011 • Deixe um comentário

Gira, gira!

Corre o tempo.

 

E num momento de silêncio, corro eu e o tempo pára.

De mãos dadas com o vento

A chuva desaba…

Ao longe ela quebra muros, invade casas.

Mas aqui perto, a chuva afaga.

Afaga essas minhas mãos tão cansadas.

Lava meus olhos que já estavam molhados.

Eu também sei chover…

 

E o vento me disse: vai!

.

.

.

.

Fui.

 

Com os pés descalços no chão, caminhei.

Tocando o presente e numa velocidade inexistente, num tempo pendente, caminhei.

Andei até encontrar o Sol que pulsava num céu confuso e colorido; que pulsava também em um peito molhado de choro e de chuva.

 

Sorri ao deitar-me na grama molhada.

Sorri ao despedir-me do Sol e ao dar boas vindas à Lua.

 

Depois andei com as mãos e toquei os céus com meus pés.

Inverti tudo e o mundo girou mais uma vez.

Os ciclos giram, giram… e a vida continua.

 

Passo, pois sou vento. Abro asas e voo.

Pouso, às vezes, para recuperar o folêgo.

E em seguida, corro e queimo como o fogo.

Giro mais uma vez e me acalmo nas águas de meu choro.

Moldo meu mundo na Terra e começo tudo de novo.

 

Lanço-me nesse novo ciclo.

Danço e comemoro a vida!

Traço um novo círculo.

E logo será a hora da partida.

 

Boa viagem a todos!

Que o Amor os guiem!

Por um fio ___

•novembro 6, 2010 • 1 Comentário

Caminho entre tantos mundos
E vou aprendendo a me virar.
Entre fios e destinos,
Praças, matas e moinhos
Por um fio vivo a caminhar.

Se um dia um vento por meus cabelos passar
e minha cabeça distraída para um lado pender
em um desses mundo vou me afundar
e num imenso mar incerto vou me perder…

Vou perder-me num abismo secreto de mim
Vou correr pela escuridão de um mundo meu
E o outro mundo do lado de lá se perderá de mim
Pois serei um pedaço cortado do outro eu

Por isso é preciso viver no meio
Equilibrando-se entre mundos diversos
De um lado eu e de outro meu inverso
E no meio, por um fio, sou um eu completo.

Ando na corda bamba assim
E me vejo de vários lados
Partes vividas de mim
Em outros eus alados…

Eus que voam por aí
Eus de mim apartados
E eu, sozinha aqui,
vivo em busca de mim
em outros olhos
outros braços…

Sempre dividida entre mim e eu
Corro sem saber pra onde ir
não me lembro se venho do futuro
ou se do passado vim…

Ah, mas um dia vou ser dona de mim
e vou poder ser aquele eu…
aquele eu que é bem assim:
um eu que é pedaço seu.

E quando eu encontrar o eu no você certo
não vou mais fugir dos pedaços de mim
Pois sei que você e eu é som completo
E alguém de longe gritará: fim.

Sim.
É preciso terminar
para que enfim
tudo possa mais um vez
começar.

 

linha do trem

E lá vou eu me equilibrar nesse fio incerto que é viver e amar.
Tudo termina para em seguida começar, assim como todo começo tem um fim a esperar.

Amor Cósmico

•outubro 11, 2010 • Deixe um comentário

No céu, o calor do sol preenche a prateada lua.
Toda essa luz percorre um mundo tão incerto.
As almas opostas nunca estiveram tão perto.
Somos um: és minha e eu sou tua.

Esses complementares se unem.
Sol e Lua percorrem o céu estrelado.
Pelo ar, voando juntos lado a lado,
Esses dois corpos celestes se fundem.

Essas suas palavras beijam minha boca:
“De repente complementares, de repente um só.
Sou você, tenho você.
Me tens, me és.”

Tu és meu farol!
Sabes que sou tua.
Tu és meu Sol
e eu sou tua Lua.

Momento suspenso

•agosto 10, 2010 • Deixe um comentário

Nesse momento suspenso, sorrio para a escuridão.  Sinto esse abismo de possibilidades abrir-se sob meus pés e o vento gelado arrepia meus ossos.

Através do oceano de meus olhos observo a difusa vida dos seres sem destino, dos perdidos como eu, me admiro com tanto sangue pulsando nos outros e como o mundo se desloca de uma rapidez admirável nos ínfimos instantes em que pisco meus olhos.

Admiro-me com o tempo. E ele simplesmente passa.

A cada vez que reabro meus olhos o mundo já deu três voltas e eu nem percebi, acho que tenho meu próprio tempo. E nesse momento suspenso, entre o dia e a noite, não há tempo, pois logo será outro tempo, logo será outro momento, mas eu também não perceberei, ou pelo menos não direi, pois perceber a passagem do tempo é uma aventura para poucos corajosos. Somos obrigados, às vezes, a encarar todo o tempo que se foi, até agora, e o que será a frente, somos jogados em três dimensões de passados, presentes e futuros e entender já não é mais possível, pois nos deslocamos para vários lugares ao mesmo tempo. Impossível! diriam alguns de olhos fechados, tremendo e agarrados a um lenço amarelado, com medo de encarar a complexidade da vida. Mas entender não é necessário, entender é um recurso que inventamos para proteger nossos íntimos invisíveis de alguma coisa lá fora que também é invisível.

E a cada segundo inventado, pois o tempo não tem medida, sinto que meus olhos pesam um pouco mais. Entendo que o tempo passa e aceito o medo que empurra meus ombros para baixo, aceito o passar e passo também, dou um passo a frente e no momento seguinte esqueço-me de tudo e somente sinto esse abismo imenso sob meus pés.

Soam suaves sinos ao longe, já deve ser dia em algum lugar.

Sou um momento suspenso, tardio e efêmero, meio perdido.

Um momento solto no ar, uma fumaça invisível espalhando-se…

Sou o orvalho da manhã que chega antes do sol nascer.

Sou um ser sem sentido e sentindo que o Sol vem chegando evaporo-me e dissipo-me nos olhos de quem me vê.

Sou sereia nesse oceano inventado de mim mesma.

Ssss! Sou silêncio e sonho também.

sonho e silêncio

Sssssssssss…

Silêncio!

Para você, pedaço de mim.

•agosto 3, 2010 • Deixe um comentário

Um sussurro suave vem, no meio dessa noite nem tão fria nem tão quente somente escura, um sussurro atravessa meu sono já mole e cansado de tanto ser molestado, cansado de todo dia ser violado por um estremecer sonoro.

É difícil acostumar aos tropeços da vida. Difícil e provocador, mas é assim que a vida dever ser, eu acho. Porque se a gente começa a se acostumar demais com essa barulheira toda, essa algazarra, principalmente interna, e toda essa bagunça se tornar corriqueira e sem importância (e na verdade não tem importância mesmo) é como se estivéssemos perdendo algo, deixando partes pelo caminho. A tempestade e a calmaria não têm mais diferenças entre si e se acostumar é o mesmo que desistir. Por isso é difícil se acostumar…

Acostumar-se é deixar que te batam na cara, que te arranquem o que é caro e mesmo assim abstrair e esperar a próxima pancada. Acostumar-se é mais triste que doer, é mais penoso do que deixar a doença, a peste, se apoderar de você, pois não há mais nada que você queira tentar para combatê-la.

A aceitação pode ser uma forma de defesa, mas aceitar que o tudo ao redor repouse nas suas costas e você, com as pernas já tortas de aguentar tanta dor e não reclamar, simplesmente aceita… ah! não posso! Não entendo como você, parte de mim tão forte, consegue se entregar a tudo assim. Eu quero te ajudar, mas parece que esses teus olhos cansados, meio abertos, meio fechados, já se acostumaram com meus gritos também. E por mais que eu venha te acordar no meio dessa madrugada morna e escura você não se preocupa, apenas acorda, boceja e obedece.

Eu tenho uma inquietação que não basta, que não se acalma.

E toda essa minha gritaria no meio da noite é para te acordar,

É para tentar te tirar desse marasmo doentio, peste na alma.

Eu convido-te, minha cara parte amargurada: vamos Voar…

Eu não te culpo, pois se essa é a sua face eu também tenho que me curvar ao triste destino de me acostumar com ela. E não estou dizendo que ela seja feia, mas causa pena. Sabe, pedaço meu, tenho que me acostumar com você, com essa suas mãos calejadas, com esses seus olhos cansados. Mas não pense que eu repousarei ao seu lado com uma pá na mão cavando minha, ou melhor, nossa cova. Não, estarei ao seu lado como sempre: pulando. Estarei te mostrando minha face ardente, aquela que você também já se acostumou. E também mostrarei meus dentes. Porque, meu pedaço de alma cansado, também sou parte de ti e é congelar meu sangue ver sua cabeça pender para cima e para baixo, consentindo.

Não!

Dou-te essa palavra hoje de presente. E use-a. Nem que seja ao menos uma vez, use-a.

Oh! Pedaço amassado de mim, comprimido por aceitações inúmeras, desejo-te boa noite! E desejo-te também um bom dia, pois já é hora de despertar.

Oh!

•julho 20, 2010 • 1 Comentário

Ah…

Liberté, Egalité et Fraternité!

•julho 4, 2010 • Deixe um comentário
Aujourd’oui Je suis la reine de la Procrastination et
Je déclare la libertation de tous les vagabonds!!!


Liberté à tous le vagabonds

Bon voyage à tous!
 
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