Por favor…

•November 10, 2009 • Leave a Comment

Dá-me forças, oh noite!
É tudo que peço neste momento
Além de um pouco de silêncio.

É esse o gosto do vazio, então?
É esse o gosto da solidão?

Dá-me palavras, oh Lua!
Porque as minhas já se foram…
E só me sobraram essas últimas…

Sei que outras palavras petulantes virão,
mas sinto que não são minhas, nunca são…

Ah, não!
O silêncio que pedi já foi corrompido…
Desculpe a insistência, mas peço mais uma vez:
Dá-me um pouco de silêncio!

???

•November 9, 2009 • Leave a Comment

Por que que está tudo girando?
Por que que está tudo tão confudo?

Pra que tanta dor?
E cadê esse tal amor?

Pra quem tantas dúvidas?
pra que tantas rugas?

Não sei
Não entendo
Não consigo mais escrever…

só sei que dói…
oh! se só doesse essa carne já podre…
mas não sei mais…
dói em todo lugar…

Por que esses meus olhos ainda ousam abrir-se?
Por que eles insistem em queimar?
Está tudo tão quente, mas mesmo assim sinto um frio interminável… uma fome voraz que me devora o estômado…

Sinto a vida escorrer por entre esses dedos enferrujados…
Sinto ela escorrer por entre esse corpo amargo

Pra falar a verdade já não sinto nada…

nada…
tudo….
nada…

é quase a mesma coisa, não?
Ah, sei lá!

já é hora de terminar o texto?
ah, leitor fantasma, se quiseres terminar essa leitura inútil podes ir para casa e deitar-se…

mas esse meu texto é eterno e sem sentido…

é… você está certo… já é hora de terminar…
o texto? a vida?

eu coloco esses meus olhos marejados ao vento,
mas eles não secam…
são eternas fontes de dor…

mas… mas… mas…

ah… sei lá…

antes que o efeito dos entorpecente passe:
digo o mais sincero boa noite!

Que pelo menos no sonhos sejas feliz!

FIM!

Queimando…

•October 30, 2009 • Leave a Comment

Já é noite
é sempre assim
o dia vem e vai
mas pra mim
é sempre noite

Estou sozinha
neste porão escuro
Para cada lado que viro
dou de cara com um muro

Há uma última vela,
e uma chama trêmula
prestes a se apagar…

Olhando para o fogo
vejo a vida que queima,
vejo que estou à beira
de um eterno e profundo abismo…

O vento faz tremer essa tênue chama…
E esse abismo petulantemente me chama…
enquanto isso a vida queima
Queima-se o fio da vida…

quanto maior [mais intenso, mais denso] é o fogo
mais rápido ele se acaba…
a chama consome a cera
e a escuridão ocupa o todo

Pois eu digo então:
Que queimem logo tudo!
Que se acabem todas as velas,
todas as vidas,
tudo que há nelas!

Voltemos a escuridão!
Pulemos nesse abismo,
meu invisível amigo,
[meu fiel fantasma]
venha deitar-se comigo
nesse meu eterno leito!
[oh! dê-me calma!]

A chama já está quase no fim
ela treme como meu corpo
treme como a vida, enfim…

Fecho os olhos:
o tempo passou.
Um último suspiro:
a chama se apagou.

Bonsoir…

•October 15, 2009 • 1 Comment

queria poder escrever tudo
queria viajar pelo mundo
queria assistir a todos os filmes
queria ler todos o livros

queria ter saído mais
queria ter conhecido mais gente
queria ter amado mais
queria ter sido mais inteligente

queria dormir
queria voar
queria sair
queria cantar
queria esquecer
queria ser

queria respirar tão forte até estourar meus pulmões
queria abraçar o mundo com minhas costelas
queria me dissipar no ar, voar e me juntar às estrelas
queria me d i s s o l v e r n o m a r . . .

queria descansar…
queria… queria… queria…

mas o tempo insiste em passar, em me assustar…
Deixo, então, minhas últimas palavras rabiscadas neste pedaço de pele, minha última lista… queria fazer tanta coisa… queria ter realmente vivido…

Daqui de cima desse precipício, sinto o vento me desequilibrar, me beijar a nuca e me sussurrar:
Pula!
Voa, minha pobre criatura!
Já é hora de se libertar…
Voa!

Agora nada mais quero…
nada mais espero…
me despeço…
bonsoir…

Casa suja, chão sujo.

•October 5, 2009 • 1 Comment

A casa está suja.
As paredes completamente brancas estão sujas.
Os móveis alinhados estão sujos.
Meus olhos estão sujos.

A casa treme.
A madeira envernizada do chão range.
Os grilos lá fora cantam.
Os gritos aqui dentro não se calam.

A casa está suja.
O chão está sujo.

O branco das paredes cega,
mas não consegue esconder a angústia empregnada na casa,
a dor que encarde os cantos da sala.

A casa brilha, mas continua suja.
O piso e o teto confidenciam entre si
e guardam entre suas madeiras brilhantes
os gritos e ecos do último instante.

São espelhos dentro de espelhos
que escondem os rostos, os gritos,
tudo aquilo que já passou e já sujou
os tijolos e as paredes desta casa.

A casa está suja.
O chão está sujo.
Sempre estarão.

casa suja, chão sujo.
casa suja chão sujo
casasujachãosujo…

A Midsummer Night’s Dream

•September 27, 2009 • Leave a Comment

I’ll put a spell on you
You fall a sleep
When I put a speel on you
And when I wake you I’ll be first thing you see
And you’ll realise that you love me

[Strange and beautiful - Aqualung]

Último café

•September 27, 2009 • Leave a Comment

Essa noite preparei o café mais amargo.

Nos armários da cozinha, o ódio, o medo, o horror, já estavam todos lá.
O que fiz foi coar tudo numa meia velha e furada.
A água estava quente o suficiente pra derreter as pedras geladas de vingança.

Enquanto a alquimia reversa era feita, uma fumaça tomou conta da cozinha e me cegou…
Mas eu percebi que já estava cega desde muito antes,
A fumaça só me fez arder os olhos, me lembrar que eles ainda estavam lá, apesar de não verem mais nada, nem ninguém…

Abri a janela… o café ficou pronto.

A gosma negra ficou muito bonita na xícara de porcelana que ganhei antes de nascer, contemplei-a.
O cheiro me invadiu as narinas e me deixou tonta, torpe.

Tomei tudo de uma vez.
E para o meu espanto, gostei.
Todo o mal do mundo em uma xícara de café.
Todo amargo de mim escorreu-me da cabeça à ponta dos pés.

A escuridão da noite, do café e do mundo
foi toda parar dentro da minha cabeça.
Um mar de dor me afogou, me matou.
E toda a paz se instalou em mim.

Nada mais importa, nem o mundo, nem ninguém…

O vento que passava me deitou no chão,
E meu corpo refletia, no centro da cozinha,
À luz da lua, a beleza da morte.

O fim tão esperado, tão aguardado,
foi me dado em uma xícara de café.

Um último brinde, um último café,
aos viajantes dessa vida!
Enquanto ainda estiverem de pé,
boa lida!

I’ve got a secret

•September 27, 2009 • Leave a Comment

Got a secret
Can you keep it?

tá tudo bem
tudo bem
tu bem
bem
mal

Can you keep it?

Já, já ela vem!

•September 20, 2009 • Leave a Comment

Esperando…

Esperando…

Na próxima curva ela aparece…

Esperando…

Talvez semana que vem ela chegue…

Esperando…

Quem sabe amanhã?

Esperando…

Já, já ela chega…

Esperando…

Esperando…

Mordi minha língua, de novo…

•September 7, 2009 • Leave a Comment

O veneno escorreu, de repente
Tudo começou a ficar dormente…

A vista ficou escura,
Os ossos se amoleceram,
As mãos estremeceram,
Mas nessa altura…

Já não havia dor,
não havia amor,
Havia o suor que escorria
pela testa, mas eu também não sentia…

Eu queria correr,
mas os músculos
insistiam em morrer,
não respondiam aos meu estímulos…

Os olhos decidiram
ver o que queriam:
o que eu sempre sonhei
mas não lembrava, nunca lembrei

descobri que é à beira da morte que se nasce um novo dia
aprendi que a construção é feita com muita quebradeira e gritaria

apesar da mente confusa,
a vista difusa,
eu pude realmente ver
sim, eu ia morrer…

afundava-me em um mar escuro e gelado
percebi que o veneno que me matava
vinha daquele rosto frio e calado
no qual eu mergulhava
Ele me olhava de volta
cansado e pálido

O veneno que me cortava
vinha do rosto que me olhava…
do espelho, ele me olhava
e ele ria…

era engraçado como tudo caía
tudo desmoronava…
ah, essa minha mórbina alegria
sem graça…

não lembro mais onde é que eu estava
tudo ficou tão rápido
tão sem sentido
tão sem palavra
sem fala
sem nada

p ucas l tras sobr ram
mas o q me r stou
d qui de d ntro do esp lho
foi o s ngue qu coag lou
de tro do olho
q me sugou
t do foi ac band
es e é o fim?
n~o sei
as l tr s
est~o
ac ban o
n~o sei
n o se
n s
n
.
.
.